A noite está a pôr-se nos meus ombros. Sinto o arrefecer nostálgico da aragem das folhas, das agrestes pegadas do fumo suspenso, o pedal retido nos pés. Cruzo zebras atrás de zebras até ao palco onde o som irá voltar aos meus murmúrios. Numa delas observo como a loucura irá nesta escuridão surpreender-me. Um muçulmano fica no meio da passadeira com o sinal verde, eu passo, ele continua lá parado até que o sinal vermelho aparece. Ele parado lá fica, a olhar para o céu, sem sentir que um carro quer passar. Nem a pessoa do carro se importa. Começam a rir lá de dentro. Restos de vestidos leves que degolem a estagnação. Delicio-me nesta brandura de esperar, mas o meu caminho hoje não é ficar neste lugar. Percorro as pedras calcadas, o Beltane vem aí. Arregaço os punhos do rio, da lua, com a vontade de me sentar nela e desfrutar o baloiçar das suas extremidades. Capto essa imagem, e guardo no templo das recordações. O rio transmite-me frescura, os peixes deambulam, as correntes misturam-se em círculos distorcidos. Ouço o chamar das notas em janelas de água que remam na espuma.
Entro docemente pela porta, na flutuação de aflições, nas cores de fogo de pautas…Duas bandas para ver, a escuridão a tapar o chão. O palco pintado com uma caixão em que mais tarde percebi que tinha uma criança dentro. Phantom Vision num toque semi-erótico do êxtase esmagado, entre linhas negras, punk, electrónico e decadente. A língua entrelaçada na vara do micro a dormir o sono do inferno. O momento alto da noite virou-me do fundo para o topo da imaginação. Um ritmo contagiante, nos malabarismos de fantasias, em poções regados de notas soltas, de lábios femininos que se tocaram no fundo. Agreste vírus das maldições que cortam as veias de magia. A embriaguez do fumo a penetrar a sala, no qual as pessoas têm os corações presos na viagem. Voam as doces melodias para transpirar de lágrimas. Passado de quase duas horas de prazer, o som fica retido dentro de cada ousada a sufocar de odor. Fico à espera que a sala fique vazia para penetrar na noite, só ouvindo o cheiro das águas...
Os passos da minha mente troteiam uma canção dos Clan of Xymox, There is no tomorow. E no fim da linha quando cansado de ficar de pé passo por duas pessoas, em que uma delas me dirige a palavra. Uma mulher de carapuço de lã e um homem preto embriagado. A mulher pede-me algum dinheiro para poder ir a um bar. Dei-o sem hesitar, o que não é meu hábito. Chorava de alegria, ou um choro de quem ia ter de encontro a um sonho. Fomos andando os três pelas ruas fora. Três monólogos. A mulher falava da sua música, do seu som, do tempo que não passa, das viagens que em Portugal fê-la deambular, da vida somente a ela pertencia. O Homem preocupava-se com o Amor, das relações entre homem e mulher sem sucesso, de estar alcoolizado e não admiti-lo. E eu...eu pouco falei...queria saber mais deles...falei um pouco do concerto que fui ver...Três monólogos em ruas desertas, a escapar para cada toca...Separamos num cruzamento de quatro lados, um deles ficou sem preencher. Quem teria faltado? Talvez a harmonia, talvez...ATCHIM! ATCHIM! ATCHIM!...
Entro docemente pela porta, na flutuação de aflições, nas cores de fogo de pautas…Duas bandas para ver, a escuridão a tapar o chão. O palco pintado com uma caixão em que mais tarde percebi que tinha uma criança dentro. Phantom Vision num toque semi-erótico do êxtase esmagado, entre linhas negras, punk, electrónico e decadente. A língua entrelaçada na vara do micro a dormir o sono do inferno. O momento alto da noite virou-me do fundo para o topo da imaginação. Um ritmo contagiante, nos malabarismos de fantasias, em poções regados de notas soltas, de lábios femininos que se tocaram no fundo. Agreste vírus das maldições que cortam as veias de magia. A embriaguez do fumo a penetrar a sala, no qual as pessoas têm os corações presos na viagem. Voam as doces melodias para transpirar de lágrimas. Passado de quase duas horas de prazer, o som fica retido dentro de cada ousada a sufocar de odor. Fico à espera que a sala fique vazia para penetrar na noite, só ouvindo o cheiro das águas...
Os passos da minha mente troteiam uma canção dos Clan of Xymox, There is no tomorow. E no fim da linha quando cansado de ficar de pé passo por duas pessoas, em que uma delas me dirige a palavra. Uma mulher de carapuço de lã e um homem preto embriagado. A mulher pede-me algum dinheiro para poder ir a um bar. Dei-o sem hesitar, o que não é meu hábito. Chorava de alegria, ou um choro de quem ia ter de encontro a um sonho. Fomos andando os três pelas ruas fora. Três monólogos. A mulher falava da sua música, do seu som, do tempo que não passa, das viagens que em Portugal fê-la deambular, da vida somente a ela pertencia. O Homem preocupava-se com o Amor, das relações entre homem e mulher sem sucesso, de estar alcoolizado e não admiti-lo. E eu...eu pouco falei...queria saber mais deles...falei um pouco do concerto que fui ver...Três monólogos em ruas desertas, a escapar para cada toca...Separamos num cruzamento de quatro lados, um deles ficou sem preencher. Quem teria faltado? Talvez a harmonia, talvez...ATCHIM! ATCHIM! ATCHIM!...
Clan of Xymox – Farewell – 2003 - There´s no tomorrow
I wake up in the dark, there’s no tomorrow
Someone said, we are lost
I wake up in the dark, there’s no tomorrow
Someone said, we are lost
I look up at the stars they portent my sorrow
A thousand miles we drift apart
Can’t you see I’m all broken hearted
All our love fades away
Carry the torch for me and give me something new
You said you wanted to but it’s now long overdue
At the summit of perception a blackness starts to rise
At the summit of deception I look into your eyes
I gave you all my love, where did you follow?
I see no light in dark, there’s no tomorrow
I see the way ahead where love lies fallow
I lost you on the way, all seems so hollow
In the twilight of our dreams, as bad as it seems
Sorrow ’s hanging over me, the way it used to be
If only I could change the course, a change in degree
Take a look at your own life, the way you used to be
Carry the torch for me and give me something new
You said you wanted to but it’s now long overdue
At the summit of perception a blackness starts to rise
At the summit of deception I look into your eyes
I gave you all my love, where did you follow?
I see no light in dark, there’s no tomorrow
I see the way ahead where love lies fallow
I lost you on the way, all seems hollow
Can’t you see? all comes backCan’t you see?, we don’t connect
I gave you all my love, where did you follow?
I see no light in dark, there’s no tomorrow
I see the way ahead where love lies fallow
I gave you all my love, where did you follow?
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