Wednesday, September 20, 2006

Uma folha descaída – Brincar no Sono

Cheguei ao quarto com vontade de debruçar meu corpo nos lençóis. Abertos os pedaços de pano branco, a esperar o meu corpo leve por dentro, pesado nas suas ossadas. Acendo a luz com aquele clique tradicional, que faz com que o silêncio da noite seja perturbado. A iluminação deixa sombras nos cantos mais profundos, enquanto meus pés não martelam o rosto de cada linha feita pela luz. Essa perturbação bendita como sempre está lá, e que raramente esquece a tela que está pintada ali naquele canto. Até as sombras curvilíneas se modelam nos planetas, pintando tubos de visões que roçam as plataformas das viagens. É sempre sinal da busca insaciável duma mistura que alicia o tacto dos socalcos do quarto.
Dispo a roupa que transpira de chamas, e deito cada fragmento no sítio onde descai mais rapidamente. Ficam ondas de negro a pintalgar os pedaços de madeira envernizado, a cama do lado oposto à minha, a mesa e até o candeeiro da mesa-de-cabeceira. Ponho o CD com Joy Division, e vou buscar a canção Dead Souls. Quero ouvir bater essa letra no meu coração. Ultimamente ouço-a sempre que saio de casa e chego. Uma rotina que deixou de ser algo fora de mim, mas que faz parte do meu eco. Deito-me nu nos lençóis estendidos, pingado com a água da torneira. Salpico-me, deixo salpicado o vazio em redor de mim. É como plantar uma planta na noite dos planetas. De repente, ouço a voz vir até ao meu cérebro: “andas muito caladinho”. Sinto a tua falta. E questiono-me, se isso não é evidente. Caio no sono, a serenar o sonho...Adormeço...

No comments: