Wednesday, September 20, 2006

Uma folha descaída – Jangada

Ao longo da cordilheira, garras de galhos espalham-se no mar, a boiar na ondulação cortante dum suspiro transparente. O meu olhar toca esta visão, na poltrona de laços, a agarrar os grãos de areia num sopro, visível nas colinas dum sorriso. São lábios de sangue a escorrer de saudades, a saltitar pedaços de arrepios enrolados em madeira, que flutuam em flores de licor. Miragem ou aglutinação do sentir, não importa.
Os arcos da jangada vacilam nos segundos de levitação, por não querer resvalar nas falésias da água salgada. São momentos de condensação da brisa, que voam sem destino, com as asas quebradas, mas que em cada braço há força para juntar as porções do silêncio. Cuidar da irradiação que se move para um toque sincero, entre as armações da jangada, entre o roçar de silhuetas escondidas. Refrescar os remos isolados que animam as serpentinas dos balões encapuçados. Ir pela sombra, ir nos rios de luz, ir apenas no olhar, numa jangada. Estou aqui, sempre estive aqui...

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