Wednesday, September 20, 2006

Uma folha descaída – Viagem de Fogo

De manhã meus pés caminharam junto das paredes de pedra. Altas com as lágrimas a caírem dentro delas. Deixei os meus pés soltos, e ao avistar uma mulher junto da parede com o rosto em mar, pus a minha mão junto do pescoço dela passando suavemente, deslizei carinhosamente. Fixou-me o olhar de sangue, e afastei meu corpo da dor que na minha forma simples tentei apaziguar. É curioso como ultimamente prefiro sentir, dando somente um sopro de mim a pessoas desconhecidas.
Não é desta parte da viagem que esta folha descaída toca. É da viagem de regresso aos 3 meses de inferno e o resto de Inverno. O apito áspero das carruagens fez a sua marcha, subindo de volta ao interior. Escuro nas paisagens verdes, incrédulo no regresso. Nem as horas trocadas me fizeram desistir de prosseguir o caminho, a saltitar de carruagem em carruagem, com a brisa fresca dum livro – “Sputnik meu Amor”. Saiu um poema a saltitar nas palavras, uma folha que deixei na leveza de mãos desconhecidas. Aroma espalhado pelas vinhas que sulcam os frascos, em fragmentos que faço voar no vento do cavalgar. No fim do trilho sem saber por onde ir, sem puder esperar, caminhei pela estrada, pé atrás da água, mão atrás duma boleia. Percorri os fogos dos terrenos em carros de homens solitários, que fazem a sua vida na velocidade do tempo, na entrega sem olhar os grãos de cores que cobrem a paisagem. Penso eu: como sou fútil nas palavras que exprimo a estes homens... Mas a solidão deles é maior que a minha...
Chego ao abraço fraterno, de onde fiz parte da minha vida, onde não estava há meses. Na manhã seguinte estava eu a percorrer outros caminhos, de volta donde vim...Absorvi o que pude, não sei quando regressarei...Não sei...

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