Olho para o céu claro com nuvens a fazer rabiscos nesta tela. O calor arde no inferno de brasas, em que meu corpo absorve o peso dos raios de sol. Sequestro uma árvore de ramos finos, que formam uma coberta de perfume. Aconchegar a árvore, um banco para me tocar. Caio em cima dele com estrondo, até minha alma fez eco ou pelo menos o coração deve-se ter deslocado do seu local. A cor desbotada da madeira, a dor rasgada de lâminas que passaram nos sulcos das veias, a visão de âncoras que ficaram outrora retidas neste lugar. Apenas olho para cima, para o lado escuro do tempo. Em cada espuma faço bonecos de neve, desenhos de castelo, setas, cordas, etc.Mil e umas coisas, que até fecho os olhos para ver além deles. A serenidade do berço faz-me rebolar paisagens distantes, em épocas que os passos da terra serviam para cultivar as flores, a esgrima da luta das pétalas do rio a correr. Apareço num mundo distante, onde cada sopro era vivido na intensidade de ser o último. Estou agarrado a este banco, mas a minha alma está longe dos pedaços de madeira que seguram o corpo, tão longe que os meus dedos a rasgar o chão, remam, para o infinito das nuvens. Sou um barco à vela estendido ao ar, ampliado nos remos das vertigens da maré baixa. Abro a camisa para sentir os ossos das costelas, soltar-me na frescura da aragem. Repouso vendo o sol baixar no horizonte, vendo as pessoas a vislumbrarem esta ousada pendurada nos remos.
Hoje apeteceu-me trazer o canivete. Houve um tempo que o tinha sempre pendurado junto ás chaves. Acabei por partir uma ligação que tinha, e ficou abrigado em casa no tempo restante, só saindo em situações esporádicas. Ergo-me e busco nas calças o canivete que tinha afiado antes de sair de casa. Ficou de tal forma, que bastava passar de leve a lâmina por uma folha que ela se abria toda. Penetro a madeira, estala a tinta, o rasgo entra na superfície e vai sufocando de prazer os pedaços que saem do interior. Começo a escrever o abecedário num círculo em que as letras convergem para o centro, numa espiral de movimento. Acabo por não chegar ao fim das 26 letras...fiquei na letra...Por entre as folhas do chão, que já deixaram de ser da cor do Outono, busco pedras para poder circunscrever o círculo de letras. Formo um esquema de cor diverso, formatos diferentes numa mistura cinzenta acastanhada. Fico de pé a olhar o esboço do templo enquanto penso no vermelho do horizonte. Uno as pedras na minha mão, levanto-as ao lado e deixo-as cair no banco. O destino está traçado. Vou embora. Voltei de novo lá para mudar umas pedras do local onde ficaram...
Hoje apeteceu-me trazer o canivete. Houve um tempo que o tinha sempre pendurado junto ás chaves. Acabei por partir uma ligação que tinha, e ficou abrigado em casa no tempo restante, só saindo em situações esporádicas. Ergo-me e busco nas calças o canivete que tinha afiado antes de sair de casa. Ficou de tal forma, que bastava passar de leve a lâmina por uma folha que ela se abria toda. Penetro a madeira, estala a tinta, o rasgo entra na superfície e vai sufocando de prazer os pedaços que saem do interior. Começo a escrever o abecedário num círculo em que as letras convergem para o centro, numa espiral de movimento. Acabo por não chegar ao fim das 26 letras...fiquei na letra...Por entre as folhas do chão, que já deixaram de ser da cor do Outono, busco pedras para poder circunscrever o círculo de letras. Formo um esquema de cor diverso, formatos diferentes numa mistura cinzenta acastanhada. Fico de pé a olhar o esboço do templo enquanto penso no vermelho do horizonte. Uno as pedras na minha mão, levanto-as ao lado e deixo-as cair no banco. O destino está traçado. Vou embora. Voltei de novo lá para mudar umas pedras do local onde ficaram...
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